Mangá: Mai-Hime

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Um ótimo potencial…completamente desperdiçado. Havia assistido também a versão anime deste mangá há alguns anos e gostei bastante na época. Não era uma história das mais complexas ou mais originais, mas valia o tempo gasto para assistir, e na época a animação era consideravelmente boa, e foi então que vim cheio de animação para ler o mangá. Triste sensação ao final. O mangá inicialmente segue bem elaborado, deixando pouca coisa a desejar para o anime, porém lá pelo seu cap. 10 já se percebe uma pressa para concluir a história, deixando de lado alguns acontecimentos que poderiam fazer bastante a diferença. Os personagens ficam opacos, sem um background significativo e as relações acabam se tornando algo ralo e sem sentido. As crises dos protagonistas acabam perdendo a graça e se tornando meros resmungos. Enfim, um mangá que poderia ter sido muitíssimo bem feito e aproveitado se perdeu na minha opinião.

Ponto fraco: são tantos, mas pessoalmente o que mais me desagradou foi o background fraco dos personagens e do universo em geral.

Ponto forte: vou eleger o traço, apesar da versão que li estar um pouco ruim de qualidade é o ponto de redenção, apesar de estar longe de ser um dos meus traços favoritos.

Resenha: A BATALHA DO APOCALIPSE de Eduardo Spohr

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Quando falamos de livros de fantasia raramente pensamos em autores brasileiros, pelo menos no meu caso. Mas acredito que de agora em diante teremos um ponto de referência forte na literatura nacional contemporânea em Eduardo Spohr.

Como sempre falo aqui, não sou nenhum crítico literário ou coisa parecida, minha intenção é passar para quem quer que sem querer passe por aqui e leia isso minhas impressões sobre o que leio, vejo e por aí vai, então tenho que ser sincero em minhas palavras e não bajular uma obra a não ser que ela mereça. E no caso desse livro eu tenho que admitir: apesar de ter gostado bastante da leitura e recomendá-lo sem pensar duas vezes algumas coisas me decepcionaram um pouco.

A PARTIR DAQUI O TEXTO CONTERÁ SPOILERS!!

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Uma análise pessoal do “Bom e Mal” n’As Crônicas de Gelo e Fogo

Normalmente gosto de falar sobre um aspecto geral de uma série, mas desta vez escolho falar sobre algo que sempre me intrigou e um dos pontos que mais me agradou nos livros de Martin, inclusive nos que não fazem parte do universo de As Crônicas de Gelo e Fogo. Eu quero dizer a linha muito tênue, ou quase inexistente, que separa o “mocinho” do “vilão”.

A primeira análise que gostaria de fazer é a seguinte: sou fã de fantasia e ficção. Meu autor favorito é Tolkien e desde muito novo sou viciado em RPG (os de mesa, fichas e dados) então não poderia deixar passar a oportunidade de me aventurar nesse mundo que G.R.R. Martin criou tão maravilhosamente bem. Mas quase que chego a duvidar que sua obra seja fantasia. Se por um breve momento você puder, junto comigo, esquecer os nomes dos locais, a aparência dos personagens e se focar em um aspecto mais subjetivo da série, as relações humanas, acredito que você também vai entender que ela é uma fotocópia da realidade e que seu ponto mais forte se dá exatamente em você não PODER separar qual lado seria o que luta pela “justiça”.(Perceba que eu usei o verbo poder e não o querer. Você pode querer o quanto quiser, conseguir separá-los já é uma história completamente diferente.)

Quando pensei pela primeira vez no assunto me veio a cabeça uma passagem que li há alguns anos em um livro de Nietzsche em que ele tentava a todo custo que tentássemos arrancar de nossas cabeças definições tão enraizadas como “justiça”, “bem” e “mal”, e percebi que esse é um pré-requisito imprescindível para se aproveitar em toda complexidade a leitura de Martin porque dentro de sua “fantasia” reside a mais dura verdade do mundo em que vivemos, e aqui me uso das palavras do grande filósofo brasileiro Humberto Gessinger: “Quem mente primeiro diz a verdade”.

Você pode descordar de mim e arguir que existem sim personagens em As Crônicas de Gelo e Fogo que são totalmente bonzinhos (e o corpo sem cabeça de Ned Stark se contorceu no túmulo), mas a verdade é que o melhor contra-argumento para isso é que ingenuidade não faz de ninguém o mocinho, muito pelo contrário, orgulho demais pode levar uma pessoa a condenar uma empreitada que de outra forma poderia ter sido muito mais facilmente ganha, com menores perdas e muito menos cabeças cortadas.

Quantos de nós, ao vermos o que queremos bem diante de nossos narizes exatamente o que sonhamos, e depois de muita luta e sofrimento, olham para o lado para avaliar se aquilo é a melhor das opções de fato? Quem de nós, ao julgar que sua causa é justa, já não se colocou acima de outros, sem ao menos querer saber se eles ao menos eram tão merecedores quanto nós, ou ainda mais?

Rainha Cersei, sem pensar duas vezes mataria uma nação para proteger seus filhos e nunca escondeu esse fato, mas verdadeiramente falando, quem condenou os milhares que morreram por conta da Rainha foi Ned Stark que quis pagar para ver.

Jon Snow quebrou seus fotos, matou um irmão juramentado e tenho quse certeza que o teria feito novamente se isso significasse salvar milhões da invasão selvagem, mas é aclamado (se justamente ou não é irrelevante) como um dos maiores “heróis” da saga. E sua irmã mais nova, Arya, talvez minha personagem favorita dos livros, que com a disculpa de se vingar de cada um dos que lhe fizeram mal ou a sua preciosa família, marcara um verdadeiro gosto pela matança?

Bom, poderia fazer uma análise de inúmero outros personagens que demonstram esse papel dúbio, Jayme, Melissandre, Daenaryes, etc… mas seria um texto interminável. O que eu realmente gostaria era de escrever que também tenho meus preconceitos e também caio na mesma bobeira de todos que falar que um é bom e outro não é, isso faz parte da diversão, mas se por um momento eu paro e penso que todos temos Cerseis, Aryas, Jons e Varys dentro de nós mesmo essa experiência fica muito mais completa.